"O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã."(Catecismo da Igreja Católica, 1666)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Costumes, liturgia e Igreja doméstica

Do blog Salvem a Liturgia, um texto que é de minha autoria e reproduzo aqui.

O genuíno movimento litúrgico deve se dar não só nas discussões teológicas e históricas acerca dos ritos e cerimônias, mas quando a liturgia começa a "falar" conosco e nos ajuda, mesmo nos pequenos atos da Igreja doméstica, a caminhar rumo à santidade.
É por isso que muitas famílias como que transportam os tempos litúrgicos, as festas, as vigílias, para o dia-a-dia em casa, criando ou desenvolvendo costumes piedosos em conexão com a liturgia. Não se tratam, é verdade, de liturgias, mas de devoções pessoais ou tradições pessoais (de enfeites da casa, culinárias etc) que derivam daquelas.

Cá em nosso lar, a Aline e eu gostamos de fazer isso. Ajuda-nos a vivenciar mais o ritmo cristão da nossa existência, a andar no compasso do calendário da Igreja, a tornar a liturgia mais “nossa”. É mais fácil participar da Missa e do Ofício se assim nos comportamos.

Por exemplo, a partir do V Domingo da Quaresma, antigo I Domingo da Paixão, cobrimos as imagens e quadros com santos de nossa casa, como a Igreja recomenda que se faça nos templos e capelas. É um modo de nos associarmos ao que a Igreja Universal faz, e tornar nossa família realmente uma Igreja doméstica.

Outro costume que tenho, e agora já é algo mais meu do que de minha esposa, é recitar algumas ladainhas e orações conforme o dia. Recito, v.g., o Símbolo Atanasiano no Domingo da Santíssima Trindade, a Sequência do Espírito Santo na novena em preparação à Solenidade de Pentecostes, a Ladainha do Espírito Santo em sua oitava, na memória de Nossa Senhora das Dores o Stabat Mater, o Ato de Consagração do Gênero Humano ao Sagrado Coração de Jesus na Solenidade de Cristo Rei, o Ato de Reparação ao Sagrado Coração de Jesus na festa própria, a Ladainha do Sangue de Cristo no dia 1º de julho, a Ladainha de São José nas festas josefinas etc.

Procuramos também acender uma vela para a imagem de Nossa Senhora que temos na sala de visitas de nossa casa quando das festividades marianas, e duas velas no altar de nosso quarto nas solenidades principais. Quando algum dos santos de que temos quadros ou imagens é comemorado, os incensamos na data e colocamos flores por perto. Se a festa, entretanto, é do Sagrado Coração de Jesus ou de Cristo Rei, honramos a imagem do Coração do Senhor em um local de destaque, e colocamos flores para ela.

Para a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, é nosso costume também fazer um “jantar mexicano”, com receitas especiais da terra onde a Mãe de Deus apareceu a São João Diego.

Durante a Quaresma, outro costume é rezar, às sextas-feiras, a Ladainha dos Santos seguida dos Sete Salmos Penitenciais.

Após as I Vésperas do Domingo do Advento é a hora de montar nossa árvore de Natal, colocar a guirlanda na porta, armar o presépio, e mudar o capacho da frente de casa por um tapete com decoração natalina. Só removeremos os adereços na Solenidade da Epifania.

Um santo especialmente comemorado por nós, e cuja devoção se acentuou quando moramos no Itaqui, na fronteira oeste do RS, é a de São Patrício. Além de padroeiro da Irlanda – de onde veio parte da família de minha esposa, Aline –, ele é o titular da paróquia itaquiense e patrono da cidade. Em seu dia, fazemos um banquete especial, com velas, uma toalha mais distinta, e consumimos cerveja irlandesa para acompanhar a comida.

Nas principais festas do calendário litúrgico, costumo assar um churrasco ou uma parrillada especiais também, abrindo um bom vinho ou uma cerveja diferenciada.

Em 2011, iniciamos uma outra atividade aqui em casa: o jantar especial de "enterro do aleluia", na terça-feira de Carnaval. A Aline prepara uma bela receita, tomamos um vinho bem escolhido e harmonizado, colocamos pratos, copos e talheres especiais (não os que usamos no dia-a-dia, mas alguns "de festa"), escolhemos uma toalha mais elegante, e enfeitamos a mesa com flores, velas, uma imagem da Sagrada Família e alguns ícones.

Há uma série de costumes familiares, gastronômicos, devocionais, que estão relacionados à liturgia. Penso que muitas famílias de leitores tenham os seus, e gostaríamos de ouvi-los nos comentários.

Um comentário:

Rafael disse...

Gostei muito do blog de vocês. parabéns estou gostando das postagens e das fotos o blog me ajudou a elaborar algumas coisas aqui em casa, principalmente com relação ás orações. Gostaria de saber como conseguir algumas relíquias de santos . Aqui em casa moramos somente eu e minha mãe e temos alguns costumes, Um pouco mais simples . No nosso dia- a dia rezamos a liturgia das horas, ascendemos sempre uma velas aos domingos e uma vela para o santo do dia se temos a imagem em nossa casa. Aos domingos e festas de guarda, temos uma refeição especial. Parabéns pelo blog e pela família que vocês tem. Deus continue abençoando. Obrigado pela atenção.