"O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã."(Catecismo da Igreja Católica, 1666)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Três dicas para os maridos católicos chefiarem espiritualmente suas famílias

O marido é a cabeça do casal e o chefe de família. Mas isso não importa em uma falsa liderança despótica, dando ordens descabidas, como se a mulher e os filhos fossem sua propriedade. A liderança cristã é baseada na verdadeira hierarquia, não na tirania, e aquela está sempre a serviço. O marido lidera não para mandar, mas para servir. O exemplo de São José deve ser sempre lembrado: embora chefe da Sagrada Família e cabeça do casal que formava com a Santíssima Virgem, sendo que ela lhe era cristamente submissa (não subserviente), Jesus e Maria, que lhe deviam obediência, eram superiores em santidade e em virtude ao santo!


Com base nisso, passo a dar três dicas de como os maridos podem liderar suas famílias, cumprindo a vontade de Deus. A liderança do marido tem um fim: proteger a família e levá-la ao céu. As dicas, portanto, serão apenas na esfera da espiritualidade e da santificação da família pela qual ele foi colocado por Deus para ser responsável.

01. O marido deve ser o sacerdote da Igreja doméstica. Muitas vezes lembramos das piedosas mulheres que sustentavam espiritualmente a família. Isso deve continuar acontecendo, pois a intercessão da esposa e mãe é poderosa. Todavia, essa quase exclusividade do papel da mulher na família é própria de tempos em que os homens não eram convertidos ou não praticavam a fé católica como deveriam. A mãe, por vezes, substituía o pai na liderança espiritual da família - não a liderança secular. Em uma família realmente católica, o pai deve reassumir seu papel e imitar São José. 

Como sacerdote da família, deve oferecer sacrifício de louvor cotidianamente, agradecendo e pedindo a Deus pelos que lhe foram confiados. 

Deve, igualmente, oferecer-se a si mesmo a Deus pela esposa e os filhos: um sacerdote é aquele que oferece as vítimas em holocausto (no caso do pai, as vítimas são espirituais, o sacrifício de louvor, pois o sacrifício por excelência é feito por Cristo na Cruz e tornado presente na Missa, pelo sacerdote propriamente dito, o padre), mas também quem oferece a si mesmo a Deus (Cristo foi sacerdote, mas também vítima, na Cruz e na Missa). E como o pai se oferecerá a si mesmo? Renunciando aos seus gostos e caprichos em prol da família, fazendo pequenas mortificações por ela, e sabendo que o bem maior é dos filhos e da esposa, e não os seus. Quantos jogos de futebol na TV não poderiam ser sacrificados, se se sabe que os filhos, justo naquele momento, precisam de atenção? Não se trata de renunciar a tudo, pois em família as coisas se ajeitam e é preciso conversar - e ensinar a esposa e os filhos a também fazerem renúncias, para melhor formarem a vontade -, mas, em conflito sem possibilidade de negociação, o chefe da família deve dar o exemplo!

Sendo sacerdote da família, o marido irá também aumentar suas orações, suas meditações, suas visitas a Jesus no sacrário, para ser modelo de todos os membros da casa, que lhe emularão a piedade.

O pai rezará com sua família, liderará a ida à Missa, estará presente na recitação do rosário, mas também rezará, sozinho, em sua oração pessoal, pela esposa e filhos.

02. Decorrência de seu sacerdócio doméstico, o pastoreio da esposa e dos filhos é um dever do marido. É o guia espiritual de sua família, aquele que deve primeiro se formar em doutrina e em piedade, para ajudar a todos. Sem substituir o diretor espiritual da esposa ou de cada filho, que, no mais das vezes, é um sacerdote ou religioso, procurará ouvir a vontade de Deus na oração, e a apresentará aos filhos e esposa. Aliás, deve procurar ouvir essa vontade divina junto com a mulher, que será sua grande conselheira e um meio pelo qual Deus fala de modo ordinário.

O pai que é pastor, orientará a oração dos filhos, ajudará a esposa em sua própria oração, se ela precisar, e estará ao lado da mãe quando ela der seus conselhos de piedade às crianças e rezar com os filhos. O pai, com a mãe, é o primeiro catequista, estimulará a leitura das Sagradas Escrituras, do catecismo, dos livros de piedade e de doutrina, e das vidas dos santos.

É dever do pai comprar bons livros católicos à esposa e aos filhos e assegurar-se de que os leiam, ajudando-os a refletir, conversando sobre os temas  neles tratados etc. Exemplares da Bíblia ou alguma sua paráfrase, adequados à idade e condição, vidas de santos, catecismos, devem ser sempre apresentados à biblioteca das crianças.

Duas sugestões são pregar um pequeno retiro aos filhos e esposa, de vez em quando, de meio-dia, nem que seja, e ler juntos um trecho espiritual, da Bíblia ou outro livro, e conversarem sobre ele. O pai e a mãe guiarão os filhos nos primeiros passos de sua oração e da meditação.

03. Outra consequência do sacerdócio paterno é o poder da bênção. A mãe também pode abençoar, mas parece-me que a bênção do pai tem aquele ethos de imitação mais perfeita do Pai Celestial e do sacerdote ordenado. 

Reze, pois, por seus filhos, imponha-lhes as mãos, abençoe a cada um deles. E abençoe sua esposa. Pode-se, aliás, usar bênçãos litúrgicas, dado que a edição pós-conciliar do Rituale Romanum traz previsões de bênçãos a serem dadas pelos pais e mães. É uma poderosa ferramente de bênção e unção da família.

Tenha em casa água benta e sal exorcizado e faça uso frequente deles para abençoar a esposa e os filhos.




17 comentários:

Petterson Dantas disse...

Parabéns Rafael.
Vejo-me ainda distante nesse ideal... mas com a graça do Espírito Santo me proponho sempre a ser um Pai e Chefe de Família católico.

Belíssimo Texto.

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, senhor Rafael! Esse é o verdadeiro sentido da autoridade do pai de família, muito mais um servidor e protetor do que alguém que manda.

Deus abençoe sempre o senhor e a sua bela família!

Dani Medina

RICARDO DIP disse...

Permita-me associar-me com gosto a seu excelente artigo.

DEUS o guarde e aos seus,

Ricardo Dip (São Paulo)

Rafael Vitola Brodbeck disse...

É uma honra receber seu comentário e sua amizade, Dr. Ricardo.

Mariana disse...

Parabéns Doutor!
Em tempos onde tudo é visto como "machismo", este texto é um sopro de lucidez. Vou mostrá-lo ao meu digníssimo. :)

André Brandalise disse...

Ótimas dicas. Vou me empenhar mais para coloca-las em prática aqui em casa.

Marcela Fassbender disse...

Que Deus abençoe as famílias, que como esta, buscam viver o amor a Jesus!

Lívia Guimarães disse...

Vibrei com este post.

Como já havia falado, sempre sinto muita falta de boa formação para homens católicos, sobre seu papel na família e na sociedade em geral.

Parece que nós, mulheres, temos interesse maior em se encontrar na família, de buscar estudar, rezar e se formar para antes do matrimônio.. para a vida! Os homens (de uma maneira geral) nem tanto. Muitos se perdem na ideia de que a mulher deve ser submissa, mas não dão condições às mesmas de assim ser. Quero dizer, muitos homens não se portam como chefes da família para que a mulher não usurpe seu lugar. Quando isso acontece, tudo desanda!
A família é mesmo um trabalho colaborativo e de bastante vigilância para a santificação do outro.

Parabéns! que Deus continue te dando forças para que tua família seja sempre bem representada e guiada para o céu.

Que Nossa Senhora os defenda deste "mal do século" que vivemos, onde ninguém sabe seu papel. Onde as mulheres usurpam o lugar dos homens (por orgulho ou por falta de referência) e onde os homens não se reconhecem homens e não têm coragem de assumir sua missão.

Um grande abraço, meu amigo!

Luiz Henrique Corrêa Mortágua disse...

Excelente meditação!

Quão grande é a responsabilidade do pai de família! Consola-nos saber que a graça de estado do matrimônio nos fortalece.

Andréa Letícia disse...

Parabéns caro irmão por mais esta linda postagem, que mostra o real papel do homem como esposo e pai.Que São José continue sendo a árvore que dá sombra à sua família! Shalom!

Giovani Rodrigues disse...

Muito bom!

Ótimo parâmetro e formação para pais católicos.

Fico feliz por saber que não tenho exagerado ao colocar praticar a primeira dica.

Quanto as outras duas, senti uma boa motivação para levá-las mais a sério. Com constância. Tenho deixado vários pontos a desejar. Um bom alerta.

Abraço.

Camila Abadie disse...

As bênçãos de se ter um pai e um marido comprometidos com a vontade de Deus alcançará algumas gerações.
Que Deus os abençoe ainda mais!

Cristiane disse...

excelente! Por favor continue escrevendo mais sobre o assunto. Assim posso imprimir e dar pro meu marido ler. Obrigada.

por Cris disse...

Excelente post! Gostei muito da distinção sobre o papel do marido e da mulher na formação religiosa dos filhos, tendo ficado claro nesse posto o papel do Marido... É daqueles posts para se ter impresso e marcado, com lumi color, pois cada um sabendo o seu papel, não há conflito! Gostei muito da simplicidade da passagem no item 1 ou 2 onde falas sobre "essas coisas se ajustam" - no dia a dia - pois observo uma dificuldade em muitos casais de fazer concessões... como se tudo tivesse que ser negociado (precificado) para ser trocado... Enquanto é muito mais simples deixar que se "ajustem" por meras concessões...

G.B. Abadie disse...

Deus nos permitirá ver uma legião de homens de Deus, chefes de família, maridos fiéis e pais dedicados. Grande texto, Rafael, grande texto!

Marlan disse...

Ótima postagem. Adorei sua explicação bem clara sobre nosso papel de esposo e pai. Peço a Deus, pelas mãos de Maria, para me dar a graça de chefiar verdadeiramente minha família. Texto iluminado Rafael. Deus abençoe sua linda família.

Carlos Ribeiro disse...

Caro Dr. Vitola,
Falando em chefe de família, que cuidados o Dr. recomenda a propósito da publicação de retratos (dos filhos) na rede mundial de computadores?