"O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã."(Catecismo da Igreja Católica, 1666)

sábado, 20 de julho de 2013

Maternidade e feminilidade


Mães se reúnem e um assunto é a pauta principal: filhos. É da natureza feminina gerar e criar sua prole com todo carinho e amor, tarefa que lhe foi confiada por Deus.

Entretanto, se observarmos algumas dessas mulheres veremos o quão esquecidas de si mesmas estão. É bem verdade que a maternidade, quando é vivida plenamente e não “terceirizada”, toma grande parte do tempo de uma mulher. Mas o porquê de tudo isso? O que existe por trás dessas mulheres modernas que decidiram se tornar mães?

Os tempos mudaram, tudo é mais rápido, já não se valorizam tanto as pequenas coisas do dia-dia – as refeições em família, conversas em comum quando se chega ao fim do dia, a divisão de tarefas, a oração. E não dá para culpar a atualidade, a informatização ou o trabalho. A família deve sempre ser prioridade. Os filhos estão em primeiro lugar na vida de uma mãe que se preze. O problema é que nesse mundo de preto e branco, um tanto gnóstico, sem meio-termo, podemos facilmente cair em dois comuns erros. O da mulher que se coloca em primeiro lugar acima de tudo, ou seja, o trabalho, a sua imagem, tudo vem antes, terceirizando seu filho (porque normalmente só tem um) como se fosse mais uma aquisição do shopping. E a mulher que dignamente larga tudo para cuidar de seus filhos, mas esquece de si, anda de “cara lavada”, com a primeira roupa que encontra no guarda-roupa, coloca o filho como centro da casa, levando o casamento e sua vida a uma situação insustentável. Ambas as situações estão longe do ideal.

Evidentemente, as tarefas cotidianas impedem algumas mulheres de andar sempre impecavelmente vestidas, como se estivessem prontas para sair a uma festa. Não é a isso que me refiro, mas devemos recordar que, ao acordar, a primeira coisa que devemos pensar é na higiene pessoal e dentro desse tema também está, além de ficar limpa, penteada e etc, andar agradável aos olhos dos outros. Uma maquiagem, ainda que discreta, um detalhe em um brinco, uma sapatilha ao invés das pantufas. Isto também é etiqueta, é pensar nos outros. É uma obrigação, digamos assim, mais ainda para as corajosas mulheres que decidem ser mães, nos tempos de hoje, onde o mundo diz: “seja egoísta, viva a nossa sociedade hedonista, filhos atrapalham, não perca tempo acordando pela madrugada, trocando fraldas, desperdiçando dinheiro com roupinhas e mamadeira…”. Para lutar contra essa mentalidade, provo o contrário, mostro a felicidade de ter filhos e estampo isto no meu rosto e me maquio e me arrumo por eles e por meu marido, para que todos vejam o quão abençoada sou e alegre com os “presentes” que Deus me deu.

Essa civilização – ou a falta dela – prioriza o egocentrismo; e o movimento feminista é um dos baluartes em defesa dessa tese. Mas o que se observa nesses lares vazios é uma abundância de tudo o que não se precisa verdadeiramente e uma carência de todo aquele afeto, aquele amor, até mesmo aquela bagunça, risinhos e gritinhos que enchem uma casa de ternura e a fazem ser natural, orgânica, não um artificialismo caricato que pode ser tudo, menos lar. Logo, muitas creditam sua falta de cuidado ao fato de terem filhos, pois todos dizem que filho só dá trabalho e incomodação. Aí uma desculpa encosta na outra e pronto.

Um fenômeno que vem ocorrendo é das mulheres que largam a carreira para se dedicar exclusivamente aos filhos e ao marido. Isto desperta a ira de feministas, que não entendem o porquê de tal atitude. O mais interessante é que essas mulheres por serem bem resolvidas, em sua maioria, são bem arrumadas e transparecem uma alegria natural. É claro que sei que, infelizmente, esta opção não existe na vida da maioria das mães brasileiras.

E aí mais desculpas: “Não tenho tempo nem dinheiro para me arrumar”. A it-girl Olivia Palermo dá o recado: “Não é sobre o preço, é sobre as roupas”. E também fala um grande estilista:“[A] simplicidade, higiene e bom gosto – os três fundamentos da moda – não podem ser comprados. Mas eles podem ser aprendidos, por ricos e pobres” (Christian Dior). Não basta, pois, ter dinheiro, para ser elegante, e, por outro lado, a elegância, se aprendidos seus princípios, pode ser adquirida por todas as pessoas, de qualquer condição social, cultural e econômica. Clara é a distinção a seguir: “A moda pode ser comprada. O estilo deve ser possuído” (Edna W. Chase).

O que falta, na verdade, é disposição, pois ser feminina não está somente na roupa, maquiagem ou unhas feitas; a feminilidade se dá no modo que arruma o cabelo, no cuidado de pendurar um broche, uma flor, na delicadeza, no tom de voz e gestos. Há coisas que o dinheiro não compra, e reconheço muitas que andam bem vestidas dos pés a cabeça e são extremamente zelosas na sua aparência, mas nem um pouco femininas. Também não estou dizendo que, se a pessoa tem melhores condições financeiras não procure andar mais alinhada, e sim que a feminilidade surge do interior. “Elegância é como estilo: não se pode comprar. É o seu gosto pela arte, a maneira como se movimenta. Você não precisa de dinheiro para ser elegante porque isso vem de dentro.” (Carolina Herrera)

Como a mãe se torna mãe cada vez mais enquanto o bebê é gerado em seu ventre, a feminilidade parte de um ato de vontade, de uma resolução do seu íntimo. E o primeiro passo é assumir uma atitude frente aos outros, principalmente os que convivem próximo, pois aí reside a caridade mais difícil. A maneira como se importa com o cuidado dos filhos, a atenção ao marido, a paciência e o silêncio frente a alguns comentários dos demais familiares é que demonstram a elegância. Se complementada com uma vestimenta cuidadosa, um esmero na aparência, teremos uma sublime maneira de evoluir. Verá que até o trato e o convívio com os outros melhorará. A vida só é difícil se a complicarmos. Às vezes o que nos parece mais dificultoso no decorrer da tarefa torna-se mais simples do que se possa imaginar.

Então se há felicidade isto deve ser externado, ainda que nos sacrifique um pouco mais, que nos exija. Até porque o resultado é animador. É algo que faz bem não somente para o outro, mas para nós mesmas.

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Publiquei este artigo originalmente na Revista Vila Nova. Podes encontrar mais artigos e posts sobre feminilidade, elegância, roupas, maquiagem em meu outro blog, o Femina.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou mãe de primeira viagem, e confesso que, para mim pelo menos, está muito difícil fazer essa boa aparência acontecer. Minha bebê acabou de fazer 4 meses. Mama o dia inteiro ainda, sempre resmungando, sono leve! Ou seja, fico orbitando ali na pequena o dia inteiro. Quando sobra um tempo, ou durmo ou faço comida ou dou uma rápida limpadinha nos cômodos mais urgentes da casa. Não é fácil quando se está sozinha o dia inteiro (o marido trabalha demais)...quero só ver quando chegar o próximo bebê...e o outro e o outro! Eu vejo você e penso: "como consegue!?" haha...parabéns pela sua dedicação! Porque aqui a coisa ainda tá feia: pantufas, cabelos mais ou menos, nada de manicure, pedicure, nem cremes! Socorro! Deus abençoe vocês!