"O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã."(Catecismo da Igreja Católica, 1666)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

5 dicas: Não acabe com seu casamento

O casamento é uma instituição fundada por Deus, encontrada, antes mesmo de qualquer Revelação divina, na própria natureza do homem. Para o Povo de Deus, em sua preparação rumo a Cristo, foi sinal da Aliança entre o Senhor e Israel. Em Cristo, ele é elevado à condição de sacramento, ou seja, dele decorrem graças suficientes para a vida em comum e para cumprir os deveres próprios de tal estado, como também a graça santificante. O Matrimônio cristão não é apenas abençoado: ele é fonte de bênção, ele nos leva para o céu, ele nos dá a graça conquistada por Jesus no madeiro.

Destruir esse plano de Deus em nossas vidas tem se tornado fácil nos dias de hoje. O combate à família tem se intensificado pela promoção do aborto, das uniões livres, da legalização dos pares homossexuais, pela facilitação de dissolução do vínculo civil mediante o divórcio, pelos pais interessados apenas nos ganhos materiais e pelas mães ausentes do lar. Satanás usa disso para semear a confusão e levar almas e famílias ao inferno. Junto dele, estão nossa tendência própria ao mal, herança do pecado original, e o mundo, com suas influências anticristãs. Esse trio de inimigos de nossas almas - o diabo, a carne e o mundo - está sempre espreitando nossos lares para que, no primeiro descuido, nos arraste para a podridão do pecado e nos precipite ao lugar onde haverá choro e ranger de dentes. 

E não é só a infelicidade eterna que lucramos quando deixamos as portas de nossos lares abertas ao mal. Também na terra somos subjugados pela tristeza e pela falta de sentido na vida quando nossa família fracasse em sua missão.

Para isso, temos de nos manter vigilantes. Como as virgens prudentes da parábola contada por Nosso Senhor, estando atentos e preparados para as visitas de Jesus, e obedecendo ao mandamento de vigiar e orar para não cairmos em tentação, enfraquecemos as armadilhas do demônio e desfazemos os laços que ele arma contra nossas Igrejas domésticas.

Alguns conselhos práticos podem servir para, no nível humano e no espiritual, fortalecermos a nossa vida de casal e correspondermos à graça que nos chega mediante o sacramento do Matrimônio.



1. Reze com seu cônjuge. E também PELO seu cônjuge

Sim, a oração pessoal, individual, é fundamental para uma vida cristã sadia e plena na presença do Senhor. Também a oração com toda a família reunida é importante.

Mas não basta! É preciso que marido e mulher se juntem em alguns momentos para orar apenas os dois, buscando a face de Deus. Como alicerces da família, é sob sua autoridade espiritual que estão os filhos. Nesses momentos de oração em casal, os esposos adorarão a Deus, O louvarão pelas Suas bênçãos concedidas, pedirão perdão pelas suas faltas, e suplicarão pelos filhos e também por si mesmos. Marido e mulher rezam juntos um pelo outro, agradecem a graça matrimonial e suplicam forças e coragem para corresponder a essa graça e dar testemunho de uma vida fundamentada em Cristo. Aprenderão, na escola da oração, a rezar também um pelo outro - o que poderão e deverão fazer também em suas iniciativas individuais de oração pessoal.

2. Dialogue frequentemente e não guarde segredos

Essa é uma regra até batida. Tornou-se clichê de tanto que é recomendada tal prática. Ocorre que ela parece entrar em nossa mente e não passar para a ação. Conhecemos bem isso na teoria e pouco fazemos a partir disso.

Expor ao cônjuge seus sentimentos, suas angústias, suas alegrias, suas conquistas, suas frustrações e também suas expectativas e mágoas, é vital para um relacionamento sadio. Ao se comprometerem diante do altar, dando-se em Matrimônio, marido e mulher tornam-se uma só carne. Não são mais dois, e sim um só. E não escondemos nada de nós mesmos.

A vida em comum necessita de total compartilhamento.

3. Respeite o espaço do outro

Embora sejam um só e precisem ser sempre abertos um ao outro, em alguns momentos o silêncio reflexivo ou desestressante se faz necessário. Uma atividade de lazer, um hobby, ou simplesmente ficar quieto em um canto, lendo um livro, assistindo um programa de TV, é útil para a "desintoxicação" emocional das pessoas. E o cônjuge deve respeitar isso.

O marido e a mulher se tornam um só misticamente, mas não deixam de ser quem são, com suas individualidades, seus gostos e seus temperamentos.

Evidentemente, esse espaço próprio não pode ser invocado como desculpa para se alienar do restante da família ou para manifestar prazeres egoístas. 

4. Mantenha o foco nos mesmos objetivos

"Do mesmo modo vós, ó maridos, comportai-vos sabiamente no vosso convívio com as vossas mulheres (...)." (I Pe 3,7)

São Pedro diz que os maridos convivem com suas mulheres, ou seja que partilham uma vida em comum. Essa vida deve ser plena, até mesmo nos objetivos do casal.

Se a família é uma equipe, tendo que alcançar um objetivo em comum, o casal, como líder dessa equipe, precisa se manter focado para que se atinja o melhor resultado. Marido, mulher e filhos, como seres individuais, podem ter seus objetivos pessoais próprios. Isso não só é lícito, como recomendável, dado que somos seres únicos, criados por Deus com uma missão igualmente única. Sem embargo, ao lado das metas individuais, precisamos manter e criar gols para a família como um todo, focar nos mesmos. Os esposos são os responsáveis por direcionar toda a família para esse resultado e devem constantemente vigiar para não fugir da estratégia e das táticas previamente convencionadas.

Ter objetivos em comum e lutar para os alcançar é uma grande tarefa que une o casal.

5. Honre seu cônjuge

Honrar o cônjuge é respeitá-lo pelo que ele é, por sua pessoa, pelo que Deus o chama a ser, e pela posição na família. O marido honra a sua esposa quando a protege e cumpre com seus deveres maritais. A mulher honra seu esposo quando lhe é submissa e conhece o seu papel no lar.

A honra ao cônjuge importa em louvá-lo pelas suas boas ações, não permitir que se fale mal dele e mesmo não o criticar para outra pessoa. 

O marido que honra sua mulher a ouve e se sacrifica por ela. A mulher que honra o seu marido demonstra sua confiança inabalável em sua liderança.


Nós, católicos, podemos entender bem o conceito de honra quando sabemos que tipo de culto prestamos aos santos, diferente daquele prestado a Deus. Cultuamos os santos, nossos heróis na fé, com respeito e veneração. E aqui reside a honra que lhes damos. Reconhecemos que os que nos precederam no caminho de Cristo merecem o nosso louvor e gratidão e procuramos imitar suas virtudes, pois sabemos que estão acima dos demais cristãos no exercício heróico da fé.

Honrar o seu cônjuge significa estimá-lo de modo especial, tratá-lo diferentemente e melhor do que aos outros, considerá-lo como alguém de muita e mais importância do que os demais. 

Quando honramos um santo em uma sua imagem, por exemplo, cuidamos dela, a colocamos em local de destaque em nossa casa ou na igreja, tomamos todas as precauções para que não se quebre, ficamos diante dela para admirá-la, e vemos no santo e em sua imagem um reflexo de Deus. Com os esposos é a mesma coisa. Honra o marido sua mulher e a esposa o seu esposo quando se tratam desse modo. 

Nós temos intimidade física e sexual só com nossos cônjuges. Estamos unidos a eles de modo santo por um sacramento. Temos por ele a missão de cuidar dos filhos que Deus nos dá. Só isso é motivo mais do que suficiente para honrarmos nosso companheiro de jornada nesta aventura de criar e manter uma família santa.

A honra do marido à mulher implica em consequências como evitar qualquer impureza com ela, e, mais ainda, sem ela. Não ter olhares maliciosos para outras mulheres, fugir das más companhias e não dar causa a ocasiões de perigo para a castidade, fomentando um possível adultério. A pornografia e a devassidão são desonras profundas, e isso vale para marido e mulher.

Também vale para ambos a prática de respeitar a opinião do cônjuge e nunca o expor na frente de estranhos ou contrariar o outro diante dos filhos. Aqui em casa temos como lema nesse ponto que quando um mata o outro enforca. Se há alguma discordância, honramos um ao outro manifestando-a em privado.

Colocar os interesses individuais - mesmo um telejornal ou um momento de lazer pessoal - acima do cuidado com o outro também é desonra. Deixar de pedir perdão quando se está errado e não valorizar os sentimentos e opinião do cônjuge também.

Por vezes, o cônjuge tem uma conduta que é digna de reprovação e pode ser difícil honrá-lo. O mandamento divino, todavia, não é condicional. Honra-se o cônjuge por ser cônjuge, e não por ser bom, santo ou moralmente irrepreensível. Até mesmo em uma necessária separação de corpos, em casos graves, subsistindo o Matrimônio, o cônjuge rebelde e mau deve receber a honra do outro, o que implica em rezar por ele, não lhe desejar mal e saber que o vínculo foi selado por Deus mediante a Santa Igreja. Amamos o outro não com sentimentos apenas, mas com decisão. Aqueles podem ir embora, mas a decisão firmemente calcada na vontade bem formada permanece. Amamos o outro, mesmo quando nos custa, por causa de Deus e como consequência do amor a Deus.


Um comentário:

Priscila disse...

Parabenizo pelo breve e significativo artigo, principalmente quando mencionado "honrar o cônjuge".