"O lar cristão é o lugar onde os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. É por isso que a casa de família se chama, com razão, «Igreja doméstica», comunidade de graça e de oração, escola de virtudes humanas e de caridade cristã."(Catecismo da Igreja Católica, 1666)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Uns dias na praia

Não estou de férias. Mas o calor, o sol brilhando e o fato de termos duas praias oceânicas no município de Santa Vitória do Palmar, onde moramos, nos constrange ao veraneio.

Já mostramos outras fotos da família na praia aqui.

E aqui vemos a família na mesma praia no inverno!

Passamos, por isso, alguns dias na Praia do Hermenegildo, com sua costa bem diferente daquela típica do Rio Grande do Sul. O Hermenegildo caracteriza-se por falésia arenosa, com o aglomerado urbano acima da linha da costa, o que faz com que tenhamos lindas vistas de cima, olhando a beira do mar mais abaixo. O balneário é a maior praia do mundo em extensão costeira, tanto que em seu território há nada menos do que três faróis! Há quilômetros de praia despovoada, ótimos para a prática eremítica e sempre me pergunto a razão de não se ter erguido por ali um monastério.

Claro que fomos à orla, tomar um banho de mar e brincar na areia com os pequenos.

Um parêntese abro para uma explicação da minha esposa, Aline, quanto às roupas femininas de praia, assunto que ela já tratou no Femina, seu blog sobre elegância e modéstia:

A modéstia pede que cubramos aquilo que não interessa aos outros, que nos é nobre, que nos é caro. Quem é que disse que o que é bonito necessariamente tem que ser mostrado? O raciocínio não seria outro? O que é precioso deve ser guardado, isso sim!

Isso não quer dizer que, preocupadas com o pudor, tenhamos que ir à praia cobertas de burca afegã.

O pudor é uma virtude e, como tal, perene, eterna. A exteriorização dessa virtude, todavia, pode seguir padrões culturais. Sem relativismo, claro, sem concessões a uma moda sensual, ao culto ao corpo, ao apelo sexual, mas também sem nos isolarmos em uma redoma.

Pois bem, não apelemos à cultura, entretanto, para vestirmos qualquer coisa na hora de irmos à praia ou à piscina. A maldade não está só nos olhos de quem vê, nem só na mente: caídos que somos, nossa natureza é fraca, e não convém que prejudiquemos nosso próximo, em total falta de caridade, levando-o a nos considerar objetos de prazer. Reclamamos que nos olham apenas como carne, que nossa figura feminina é vista como relacionada ao ato sexual? Que tal ajudarmos a mudar essa situação, conservando o recato até na praia?

Evidentemente, muito pano pode atrapalhar a natação e as atividades próprias do veraneio. Mas não é ocasião para nos desfazermos totalmente das roupas, como algumas fazem (ou quase, o que já é imoral).

Guardemos o que nos é precioso.

Embora a modéstia seja sempre a mesma, a aplicação de seus princípios guarda uma correlação entre vários fatores: tipo de corpo da mulher, lugar que se frequenta, atividade que se faz, mundo à volta, aspectos sociais e culturais.

É de um Papa beatificado, ainda que se expresse nessa ocasião como doutor privado, o seguinte ensino. Recordemos: beato, com vida de santidade reconhecida pela Igreja. “Já que a roupa é considerada em relação ao problema do pudor e do impudor, talvez seria proveitoso considerar o seu papel funcional. Pois, assim como há certas situações objetivas, nas quais até a total nudez do corpo não é impudica, porque a função própria desta nudez não é provocar nenhuma reação a respeito da pessoa como objeto de uso, assim também com certeza há várias funções das várias maneiras de vestir-se ligadas `a parcial ou total nudez do corpo, por ex., no trabalho físico, durante o calor, no banho, perante o médico. Tratando-se de qualificar moralmente a maneira de vestir-se, é preciso partir da variedade de funções, às quais a roupa deve servir. Não deve considerar-se impudica a pessoa que usa determinada roupa, mesmo que apareça a nudez parcial, se realiza uma função objetiva. No entanto, seria impudico o uso de tal roupa for a de sua própria função, e assim também deve ser percebido. Por exemplo: não é contrário ao pudor tomar banho de maiô, mas sê-lo-ia usá-lo na rua ou na avenida.” (João Paulo II. Amor e responsabilidade)

Biquínis raramente serão modestos, mas não podemos excluí-lo de pronto. Há biquínis que não são "enfiados", cobrindo boa parte do bumbum e não mostrando a “bundinha” dos seios. Evidentemente, biquínis de lacinho, fio-dental, e pequeninhos não são nada modestos. O melhor, todavia, é um maiô ou o tanquíni - que é um camiseta top, com a calcinha do biquíni. Ou, ao menos, o sunquíni, que é um biquíni com mais tecido.

Não se venha dizer ser isso “invenção” minha, ou “nossa própria noção de moral”. Muitos sites especializados em modéstia e recato feminino dos EUA, a maioria deles católicos, mas também alguns mórmons e protestantes, trabalham com a modéstia real, bastante lúcidos, e expõem maiôs e biquínis conservadores, que não parecem um arremedo de cortina. É necessário conjugar as necessidades próprias do ambiente, a contemporaneidade e o recato da mulher cristã como expressão das virtudes da castidade e da caridade.

Há uma moda praia modesta. Friso: praia! Não é nada pudico andar com roupas que mostrem, excessivamente, as formas no dia-a-dia...





Aproveitei para colocar a leitura em dia (entre algumas idas à cidade para resolver problemas policiais). Recebi "O Ignorado", do fantástico poeta Ângelo Monteiro, de regalo do José Lorêdo Filho, da Editora Resistência Cultural. A obra foi prefaciada pelo grande Ronald Robson.

Claro que a Missa não faltou.



























Nem o passeio no início da noite, após a Missa.

Igualmente esteve presente o indispensável churrasco gaúcho.

E uma visitinha a um restaurante na beira da praia, em cima das dunas, à tardinha, para comer uma pizza.

Enfim, picolés!




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