Como celebramos o Trânsito de São Bento

Dia 21 de março foi a festa do Trânsito de São Bento, Abade, no calendário beneditino e cisterciense. No calendário romano antigo, festa de São Bento, Abade, movida para 11 de julho no calendário moderno.

A liturgia beneditina do Ofício Divino nos traz uma belíssima leitura para esse dia:

Dos Sermões de Santo Elredo de Rievaulx, abade
Sermo 6
(Patrologia Latina 195, 245-247)


São Bento, ainda corporalmente na terra, já caminhava, pelo pensamento e pelo desejo, na pátria celeste

Celebrando hoje o trânsito de nosso Pai São Bento, devemos dizer alguma coisa sobre ele, ainda mais que notamos ser este o vosso desejo. Para isso, como bons filhos, vos reunistes aqui, a fim de ouvir falar de vosso Pai, que vos gerou pelo Evangelho em Jesus Cristo. Falamos em seu “trânsito”. Vejamos de onde e para onde passou. Porquanto veio de onde ainda estamos e passou para aonde ainda não chegamos. Mas, embora corporalmente ainda não estejamos onde se encontra agora, já o estamos pela esperança e pelo amor, conforme a palavra do nosso Redentor: Onde estiver teu tesouro, aí estará também teu coração (Mt 6, 21). Pois o próprio São Bento, ainda corporalmente na terra, já caminhava pelo pensamento e pelo desejo na pátria celeste.

Hoje nosso Pai São Bento passou da terra ao céu. Passou por Cristo e para Cristo: pela fé em Jesus Cristo, ativa pelo amor, passou à visão de Jesus Cristo, cuja contemplação sacia todos os desejos. O seu caminho foi Cristo, que diz no Evangelho: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Por ele passou para ele, porque ele é a vida e o caminho. O retíssimo caminho de nosso Pai foi a perfeição de sua vida.

Vida inicialmente difícil, mas que leva, depois, como ensina o próprio São Bento em sua Regra, a percorrer o caminho dos mandamentos divinos com inenarrável doçura de amor. Para os principiantes é sem dúvida estreito, como Davi reconhece: Seguindo as palavras que dissestes, andei por caminhos difíceis (Sl 16 [17], 4: Vulg). Também a São Bento, no início da conversão, pareceu estreito e, no final, muito largo. Quando lhe pareceu estreito, que fez ele? Porventura o abandonou? De modo algum. Continuou a segui-lo virilmente. Deu-nos o exemplo do que ensinou para que pudesse ensinar aos discípulos apenas o que praticara.

Como andou no caminho de Deus, podemos deduzir das suas próprias palavras, pois adverte na sua Regra que ninguém abandone por temor o caminho da salvação, o qual – como aprendera por experiência – só pode ser de começo difícil. Embora bastante estreito, este caminho levará à vida, como diz o próprio Senhor: Estreito é o caminho que leva à vida, e poucos são os que o encontram (Mt 7, 14). E o Senhor manifesta, em outro lugar, a que vida conduz esse caminho: Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste (Jo 17, 3).

Enquanto alguém, no caminho de Deus, está possuído pelo temor, padece dificuldades e sente a aspereza do mesmo, mas logo que chega à caridade perfeita, que expele o temor, proclama então com imensa alegria o que diz o Apóstolo: Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 4, 7). Foi por esse caminho que São Bento passou da morte à vida. E passou bem, porque bem viveu. Sigamos as pegadas de nosso Pai São Bento. Possuímos o caminho reto para lá chegarmos: a Regra e sua doutrina. Se, como é nosso dever, a seguirmos, e nela permanecermos, também chegaremos onde ele está.

Fiz cupcakes da medalha de São Bento para comemorar o padroeiro do filho número dois.



Evidentemente, meu marido teve que abrir uma cerveja em homenagem ao santo. Na falta de uma autêntica trapista (lembrando que os trapistas seguem a Regra de São Bento, pois são uma reforma dos cistercienses, que por sua vez são uma reforma dos beneditinos), ou de uma de abadia, o Rafa abriu uma de trigo chamado St. Gallen, brasileira, produzida em Teresópolis, RJ, cujo nome é em homenagem a um mosteiro antigo da Ordem de São Bento.


Ó Deus, que fizestes de São Bento, cheio do Espírito de vosso Filho, insigne mestre da perfeição evangélica, concedei-nos, ao celebrar sua passagem para o céu, caminhar com alegria para as alturas da caridade e da glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.


Aline Rocha Taddei Brodbeck

Católica, casada e mãe de quatro filhos. Advogada, professora, blogueira de moda por quase dez anos no Femina, conferencista e palestrante em temas de formação da feminilidade, moda, modéstia e elegância. Com seu marido, Rafael, é autora do livro “Família católica, Igreja doméstica”. Gradou-se em Direito pela Universidade Federal de Pelotas em 2006. Membro do Movimento Regnum Christi, onde ajuda a formar moças e senhoras. Mora em Piratini, Rio Grande do Sul. Siga seu Instagram. Fale com ela por email.

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